segunda-feira, 7 de março de 2011

Instituto da Inteligência + Augusto Cury: Augusto Cury O Futuro Da Humanidade

Instituto da Inteligência + Augusto Cury: Augusto Cury O Futuro Da Humanidade: "Augusto Cury O Futuro Da Humanidade"
Permita-me colocar um conto escrito baseado no livro:

Os cadáveres de Marco

No primeiro dia de aula de anatomia no primeiro ano da faculdade de medicina, Marco surpreendeu a todos, colegas e professores, ao questionar qual o nome dos cadáveres enfileirados nas mesas de mármore. E mais, queria saber se alguém da equipe saberia qual teriam sido os sentimentos das pessoas que ali jaziam.

Os questionamentos de Marco e a resposta dada pelo personagem que representava seu professor na história são o início de um romance de sucesso que está vendendo feito água, escrito por um conhecido médico psiquiatra.

Esta resposta poderia alternativamente ter sido proferida dentro da seguinte linha:

“Jovem, os corpos que você vê em cima das mesas, não possuem nomes, pois não são mais pessoas, são apenas carcaças que um dia já pertenceram a alguém. Estes cadáveres são como todos os outros e, se não fosse o formol, estariam já sido consumidos pelas bactérias e se tornado inexistentes. Aqui não existem mais expressões de sentimentos, paz ou dor; as máscaras que de fato consegue se ver são apenas as da inércia.

Os corpos pertenceram a mendigos ou indigentes, pessoas muitas vezes realmente sem nome, marginalizadas na sociedade, que não tiveram seus corpos reclamados, porém isto, após a sua morte, não faz na prática nenhuma diferença.

Provavelmente jovem aluno, a minha carcaça e a sua jamais virão para uma mesa de dissecação por puro preconceito nosso e de nossas famílias, porém para nós isto não faria nenhuma diferença se ocorresse, tal como não está fazendo para as pessoas a quem pertenceram as que aqui estão. Tanto faz vir para cá, decompor ou virar cinzas.

Se você está preocupado com seus nomes e sentimentos agora Marco, pergunto-lhe: Por acaso já se preocupou com as pessoas potencialmente fornecedoras destes cadáveres que vivem aos montes sob as marquises e viadutos, ao lado das ruelas das rodoviárias e praças públicas? Ou nos asilos e albergues noturnos? Já parou e foi perguntar a uma delas em vida, qual é o seu nome, quais são seus anseios e expectativas, o que pensa, o que sente?

Jovem Marco, a sua preocupação tem fundamento na medida em que se preocupa com os seres humanos, porém torna-se infrutífera e apenas poética ao tentar buscar as respostas que deseja em cima destas massas inertes e sem vida. Nada trará de retorno a elas ou mesmo a nós. Concentre-se no seu aprendizado de anatomia, importante matéria do seu curso que, pelo menos em tese e teoria, é destinado a amenizar o sofrimento do ser humano. Quem sabe você se tornando um bom médico, poderá dedicar parte do seu tempo a amenizar o sofrimento destes futuros fornecedores de corpos, preocupando-se com a saúde física e mental das pessoas anônimas que encontrar pela vida. Quem sabe como bom médico, você saiba diferenciar o tratamento de peças anatômicas isoladas, para tratar pessoas como seres humanos por completo que são, mesmo que indigentes. Que estes cadáveres sirvam de ferramentas ao seu aprendizado e apenas isto, somente isto. Eles não possuem outra finalidade.

Pensando bem Marco, até o clássico agradecimento aos cadáveres anônimos, que é normalmente colocado nos convites de formatura de medicina, poderia ser dispensado por absoluta falta de significação e valor.”

Porém, se esta tivesse sido a linha de resposta adotada ao sensível aluno, talvez o romance não tivesse tido o prosseguimento da forma escolhida para embalar as emoções dos leitores e o glorioso psiquiatra não teria mais um livro em sua coleção de sucessos.

Roberto Barbieri – Itaú de Minas – MG

rrbarbieri@hotmail.com